Titia
Novembro 17, 2008
Sete horas. Voltando para casa. Horário de verão. Como uma montanha-russa, meu trajeto tem uma enorme subida que depois despenca. No começo da descida, uma combi estava parada na sinaleira. Duas meninas com rabos de cavalo e outros apetrechos no cabelo estavam penduradas na janela do banco da frente da combi branca encardida. Quando passei as duas gritaram “Oi tia!” abanando loucamente. Olhei pra trás e as duas se esconderam rapidamente, rindo envergonhadas e travessas.
Não me senti exatamente adulta, mas velha. Eu já estava me sentindo mais velha… Era minha segunda semana no trabalho e andei notando rugas no meu rosto. Até ontem era eu a menininha que abanava para desconhecidos na rua. A idade começa a pesar nas costas quando tu tens que te preocupar com a organização da casa, a vida das plantas, as contas que venceram, o dinheiro para comida, os trabalhos da faculdade, a corrida para o trabalho, a falta de tempo, quando te chamam de tia e quando teus amigos começam a casar…
E neste final de semana fui visitar Ilópolis, a cidade onde passei os anos dourados da minha infância. Além das pessoas não reconhecerem essa “moça” aqui, o motivo que me levou para lá é outro sintoma de adultisse: casamento. Não o meu, claro. A noiva estava lindissima. Fui tudo tão bonito. A última vez que tinha visto um casamento foi nesta mesma igreja, mas eu era áia e tinha alguns 12 a menos. Para a larissa-criança esta celebração signicava colocar um vestido que coçava, comer docinhos e bater nos guris depois. Desta vez, vivi diferente. Chorei. Era tudo tão mágico… O casal irradiava nervosismo e alegria, assim como deve ser num casamento de verdade. Mas a mulher vestida de branco foi a menina que me ensinou a andar de bicicleta aos 8 anos. Eu sempre me orgulhei de ir com ela a pé para a escola, afinal, não era toda a criança da primeira série que tinha uma amiga da quarta. E agora, minha vizinha, que brincava de barbie comigo, casou! E todas as outras meninas que participavam do nosso grupo de covers das chiquititas eram madrinhas. Todas na faculdade, com noivos, trabalhando… Mulheres! “Você começa a ficar ficar velha quando seus amigos casam” -foi isso que minha irmã disse para consolar minha surpresa. O lugar onde eu fui criança agora me mostrava como o tempo tinha pesado. Quando fui felicitar aos noivos, ela me abraçou e falou: “Casei”, mas o que realmente me assusta foi a conclusão dela “E a próxima vai ser tu”. Depois disso, encarnei a gordinha-criança, me pendurei no vestido da minha mãe e só soltei quando ela me levou pra casa dormir.
Agora, no auge dos meus quase-vinte anos, eu sou a tia que devolve para as meninas um sorriso nostalgico de quem tem que crescer.
melhor que as cronicas da martha medeiros esse. :x
quase chorei :(
bom demais! :~