Avante!
Dezembro 30, 2008
Hoje atravessei a rua sem olhar para os lados. Eles não me interessam mais.
Finalmente tive uma perspectiva de futuro. Tanto a longo prazo quanto para amanha.
Tudo ficou mais bonito, mais feliz, mais estimulante.
É hora de olhar para frente e parar de reviver o passado e devorar o presente.
Decidi: meu futuro é demais!
Te procuro
Dezembro 29, 2008
E assim, tento jogar na tua cara as torres de babel construídas com os lenços papel dos meus prantos.
Feliz 2009
Dezembro 23, 2008
Maldito seja o final de ano. Por que as pessoas precisam dessa data para comemorar, planejar?
Que tal se festejássemos cada dia que termina?! Não. Esperamos 365 dias para podermos perceber o futuro e saudá-lo.
O pior de tudo é a hipocrisia anual dessas festas. Todo esse evento deve ser meticulosamente programado. Todos devem estar felizes. Todos devem estar bonitos. Todos devem estar juntos. E óbvio que tanta perfeição à lá malhação acaba sendo frustrada e aí surgem as irritações e as brigas. E aí vem a hipocrisia da meia noite, fingindo que nada aconteceu e que o espírito de confraternização dessa época une os corações.
E o outro ano, que é pra ser cheio de renovações, já é recebido com milhares de clichês, desde a músiquinha da globo até as típicas saudações que são ditas superficialmente.
Por essas e outras, maldito seja o final de ano.

O dia em que a terra parou
Dezembro 18, 2008
Lá estava aquele grande relógio sobre minha cabeça. Seus ponteiros, em tamanho expressivo também, fincavam cada minuto. Nunca odiei tanto o tempo. Era uma despedida. Saguão do aeroporto. Em frente ao portão de embarque internacional. Eu era quem ficava, o que significaria que o tchau doeria muito mais. E o tal relógio insistia em correr. O ponteiro dos minutos gritava para mim que minha hora estava passando e que só veria meu viajante daqui há seculos. Até que me irritei. No meio da minha piração pulei alto. Me agarrei no relógio. Fiquei pendurado como um macaco raivoso no meio da civilização. Quebrei os ponteiros e cravei no seu coração. Era minha vingança. Fiz com o tempo o que ele estava tentando fazer comigo. Apunhalei-o bem no centro. Congelei-o. Pronto. Os malditos ponteiros ficaram sangrando no meio do círculo numerado inútil. Desci, tirando um peso da alma. Meu tempo parou e fiquei pra sempre ali, te vendo partir.
Grande “Hobbes”
Dezembro 17, 2008

Social Light
Dezembro 16, 2008
Chovia a cântaros, mas era sábado. Quem fica em casa em pleno sábado à noite de “férias”? A festa seria no lugar de sempre – o único. Mas há anos eu não aparecia lá. Mesmo assim, quando chegamos, as pessoas eram exatamente as mesmas, seguindo a mesma rotina. Rotina de festa.
E foi aí que descobri que já não sei me portar nesse tipo de balada. Pessoal arrumadinho. Brilhos e paetês. Saltos maiores que as pernas. Todos com seus copos, parados em rodinhas de amigos, conversando civilizadamente. As minhas gargalhadas ecoavam pela rua. Como umlouco sem camisa de força, eu dançava com cada parte do meu corpo. Enquanto isso, as pessoas da festa apenas batiam o pezinho ou se balançavam, com os braços colados ao tronco, de um lado para o outro.
A música estava boa – para o lugar, eu estava revendo meus amigos e tinha uma garrafa de rum. Queria me divertir. Não estava afim de ficar cuidando as roupas ou o comportamento alheios, muito menos o meu. Mas era impossível não perceber que eu era o único ser solto do lugar. Cantando e dançando sem pudor. Logo, eu parecia um bêbado desvairado. Mal sabiam eles que eu estava fazendo uma festa dentro de mim, comigo mesmo. Isso é que é divesão.
Então, no meio da noite fui para o banheiro da pista vazia e dancei, cantei porque o bom mesmo é perder o luxo. Descer até o chão. Tirar o sapato. Beber no bico. Abraçar os amigos. Cantar até explodir os pulmões. Posso estar sozinho em casa com a luz ligada ou numa festa cheia de gente e luz negra. Assim que eu me divirto.
Drama
Dezembro 1, 2008
Muni. Lembra desse apelido idiota? Pois é. Sempre fomos contra os apelidos idiotas. Mas também sempre estivemos cientes das bobagens que falávamos um para o outro e isso era motivo de chacota. Uma chacota carinhosa.
Outro dia, sem querer, caminhando pela rua e conversando sozinho, saiu da minha boca “Muni”. Nem lembrava disso. E pra que lembrar?! Continuei andando. Apenas arrastado pela maré de nostalgia que me inundava. Em meus ouvidos ecoavam todas as nossas músicas. Teu cheiro de amaciante exalava de todos os cantos. Teu gosto voltava a minha boca.
Cada pouco esse drama me assola. Fico nessa nostalgia. Sofro e ressofro por tudo o que aconteceu e por tudo que poderia ter aconteciso.
Talvez já esteja mais do que na hora de exorcizar esses fantasmas que se acumulam nas minhas costas. Provavelmente eu não vá conseguir tão cedo.
Então, vou sair com meus amigos e beber num bar.