Janeiro 27, 2009

As cartas do baralho espanhol ainda estão espalhadas pelo tapete da sala, pelos cantos do quarto.
É uma pena que eu não tenha aprendido teu jogo.

Janeiro 19, 2009

E de repente até o vento parou de zunir na minha janela.
De repente tudo parou.
Tudo parou pra me acompanhar na espera minha espera.
Na minha espera pela tua visita.
E eu e tudo ficamos te esperando. Sentados.

Ensaio sobre guarda-chuva

Janeiro 19, 2009

Não consigo entender como a ciência e a tecnologia, avançadas como estão, não inventaram ainda alguma coisa melhor que o guarda-chuva. Porque, convenhamos, ele é inútil. Só serve para o nosso psicológico ficar seco. Tudo bem, protege um pouco da cabeça também, mas não impede que nos molhemos. As pernas são as principais prejudicadas.  E quando a chuva ataca verticamelmente, já viu. Além disso, é um objeto completamente descartável. Perder guarda-chuvas é um clássico que existe desde a criação desse objeto. Discreto e jogado em algum canto, é extermamente passível ao esquecimento. A estrutura deles também não é outro defeito. Ventos fortes facilmente os destroiem e eles nos deixam na mão quando mais precisamos.  Seria tão mais prático se ficassemos impermeáveis nos dias de chuva. Não estou falando de capas que também não são nadas práticas. Queria uma coisa nova que realmente funcionasse.
Agora deixo aqui meu testemunho, para justificar a raiva que sinto pelos guarda-chuvas.

Segunda-feira. Acordo com chuva e metade dos meus planos vão, literalmente, por água abaixo. Mas trabalhar é preciso. E lá fomos nós, eu e meu guarda-chuva. O caminho era longo para um dia molhado. Meia hora. Apesar do tenis furado e a água entrando no meu pé, os primeiros 2 minutos foram tranquilos (novas regras do português). Até que o vento começou a incomodar e eu tive que ir manobrando o guarda-chuva. Já não conseguia mais cuidar os carros ao atravessar a rua, já não conseguia ver os postes na frente nem as lixeiras nem os vasos de plantas. Estava parcialmente cega. Minha visão era encoberta pelo tecido preto. Quando eu já havia percorrido metade do caminho o maldito vento foi cruel. Meu guarda-chuva virou do avesso e virou de novo e virou de novo. O resultado foi metade da armação quebrada e eu, que já estava toda enxarcada, fiquei mais desprotegida ainda. Fui levando assim, cuidando para que os ferrinhos quebrados não acertassem meus olhos e tentando usufruir da parte que ainda estava inteira. Atravessei o viaduto da João Pessoa sem nem contemplar a vista. Eu ia xingando tudo com todos os nomes feios que minha mãe não gostaria de ouvir. Só faltavam 3 quadras. Mas o vento não dava trégua. Eu já estava ensopada. A chuva era fininha e gelada. Num surto de raiva e libertação joguei o tal guarda-chuva na primeira lixeira que encontrei. Pronto. Assumi meu banho de chuva e fui contornando os prédios em busca de marquizes amigas. Durante todo esse trajeto me pergutei: “por que cargas d’água não chamei um táxi?”. Eu e minha mania de andar a pé… Enfim cheguei. Não tenho mais guarda-chuva. Mas pelo menos não me iludo mais quanto a não me melhor. Cheguei pingando de chuva e mau humor. E agora estou aqui, escrevendo, sentanda na minha bunda molhada, de pés descalsos no novo emprego.

Janeiro 19, 2009

Eu já deviria saber que estou velha demais para beber tanto e ficar na rua até tão tarde.

Acordei no meio da noite tossindo como uma louca, sofrendo como um cão – se é que cão sofre tanto. Achei que pudesse estar com câncer na traquéia. Prometi até cuidar da saúde… Me alimentar melhor e tal e coisa e coisa e tal. Dor. Muita dor. Dor na alma. Minha cabeça pesava quase 40 quilos. Meus pulmões queriam saltar pela boca. E aí um frio intenso caiu sobre mim. Droga! Meu cobertor estava na lavanderia. Se ao menos teu corpo estivesse aqui para me cobrir…

Janeiro 13, 2009

Dani, 31 anos – 32 amanha – dizia que os capricornianos esperam sempre o pior das pessoas, então, o que vier é lucro.
Ah, Dani, quem me dere ter nascido em janeiro.
Agora cá estou eu, me decepcionando pela centécima-milésima-segunda vez neste mês. Tomara que seja só um alarme falso. Tomara que a bruxa malvada tenha te aprisionado, mas que logo tu escapará e correrá ao meu encontro, montado em seu cavalo branco, para me tomar nos teus braços e sermos felizes para sempre. Fim

Janeiro 13, 2009

It’s not easy love, but you’ve got friends you can trust,
Friends will be friends,
When you’re in need of love they give you care and attention,
Friends will be friends,
When you’re through with life and all hope is lost,
Hold out your hand cos friends will be friends right till the end

Rotina

Janeiro 10, 2009

Vejamos a lista. Ah! Eu não faço lista. Por que não? Sim, porque quando me deparo com as cifras acabo trocando as prioridades. Olha só, conheço esse guri. Mas acho que ele não tinha barba. Acho que conheço de algum beco. Acho que me trovou alguma noite. Deve fazer cinema. Ah, sim! Pão. Eu preciso de pão. Só tenho uma fatia. E é a casca. Pão de forma, light, pacote pequeno. Que degradante. Ela chora e esperneia no meio dos corredores como uma criança. Ela só quer um doce. Seus cabelinhos brancos lembram algodão. Preciso de algodão. Sua filha lhe dá um bolhinho, na boca. Ela baba. Será que esqueci de algo? Tenho coca em casa. Bah, mas não tenho mais água. É, hoje de manhã faltou água. Não pude tomar banho. Vou ter dor nas costas por carregar peso. Deprimente. Não tenho mais o cartão Zaffari.

Obs.:

Janeiro 10, 2009

Nas sextas-feiras o Bom Fim tem cheiro de petshop.

Janeiro 9, 2009

Insatisfação mor. Mórbida. Mordidas não me saciam. Preciso engolir inteiro. Pra daí cuspir fora.