8º andar

Janeiro 9, 2009

Sexta-feira, chove em Porto Alegre. Em pleno verão é frio. E não tenho água. O banho foi adiado e lá fui eu, caminhando pela bela cidade que, as 8 horas da manhã, já estava completamente tumultuada. Mas é até agradável perambular em um dia cinza pelas ruas da capital, atravessar o viaduto da Borges e ver os milhares de onibus e carros e lotações disputando a pista lá em baixo. Cheguei no 8° andar. A vista daqui de cima é fantástica. Gosto de qualquer vista que me permite espiar o Guaíba.

Colégio

Janeiro 8, 2009

Ontem, no final da tarde, passei por meu professor de química do segundo grau, que desde a formatura não via. Ele não me viu ou não me reconheceu. Eu poderia ter chamado, ido atrás. Poderia ir conversar com ele. Contar que hoje eu faço faculdade. Frequento as aulas. Tiro notas acima de 8. Trabalho. Enfim, tomei um rumo na vida. E gosto disso. Talvez ele fizesse uma cara de surpresa e no fundo nem acreditaria em mim,  assim como ele não acreditava nas desculpas esfarrapadas que eu arrumava para justificar minhas provas zeradas nos três anos. Ele não me viu. Eu continuei meu caminho. Nós não teríamos assunto.

Sensation seeker

Janeiro 8, 2009

Já li tudo o que tu escreveste. Sim, eu sei, sou uma executiva que vive com pressa e atrasada, mas tirei tempo para ler tudo o que tu escreveste. Sobre todas as tuas mulheres. Sobre todos teus homens. Bela publicação. O colorido avermelhado da capa até assusta, mas é a tua cara. Gostei do que li. Odiei o que li. Mas nada passou batido. Talvez seja isso que me atraiu em ti, quando ainda éramos jovens e eu gostava de sonhar: tua capacidade de deixar tudo mais emocionante. Mas não tive tempo para isso, não tive mais idade para tanta loucura. Meu coração não suportou esse maremoto de emoções que és tu. Aquele foi o tempo que mais escrevi delírios, que mais vivi delírios. Mas agora, relendo tudo o que tu escreveste sinto saudade, sinto vergonha, sinto medo, sinto falta. No instante em que vi teu livro ali exposto lembrei dos nossos projetos malucos, roteiros empolagos que nunca sairam do meu quarto, da nossa cama. O cartaz na porta da livraria do shopping anuncia tua noite de autógrafos. E lembro-me de que nunca mais te vi. Talvez a última vez tenha sido naquele café… Mas pra variar tu estavas acompanhado e o nosso único contato foi um aceno tímido e reprimido. Poderia ir te ver, ficar num canto escondida, esperando todas as fãs te assediarem, daí te raptar, te usar e depois te matar a facadas.

Nostalgia 8mg

Janeiro 8, 2009

Fui ao médico. Saí de lá com uma penca de exames e afins. Uma receita de remédio. Eu deveria mandar fazer em uma farmácia de manipulação. Nostalgia. Não sei o que ele cura. Mas serão três doses diárias. Amanhecer, entardecer e madrugada. Depois do café, depois do chá e depois do trago. Já ouvi falar mal dessa droga, mas o doutor me garantiu que com uma boa dose de nostalgia meu coração poderia voltar a bater.

Outro drama

Janeiro 6, 2009

Deve ser um karma. Em alguma vida devo ter tentado me afastar de todos ao meu redor. Hoje a saudade me fustiga e chicoteia meu peito.
Malditos quilômetros que nos separam. Malditos compromissos que não me deixam partir ao teu encontro.

Janeiro 5, 2009

O que os olhos não vêem o coração não sente.

Não te vi partir. Mas meu coração imagina a cena a todo instante. E sente a dor da distância. Sente a dor de não ter mais o ombro amigo sempre a disposição. 

Nossa despedida foi com gosto de quero-ficar-do-teu-lado-sempre. Repetindo milhares de vezes os mesmos votos e as mesmas recomendações para que ficassem realmente gravados e para que a última e derradeira palavra – tchau – fosse adiada.

O nervosismo fazia-me rir, quando eu queria mesmo era chorar. Meu rosto ficou marcado na tua camiseta e o teu no meu coração.