Fevereiro 28, 2009

Hey moço, se eu te der uma moedinha tu toca pra mim tua música mais triste? Daí eu posso ficar dançando aqui na rua mesmo? No meio da chuva?
Não, não. Vou ficar parada. Ouvindo. Cantando pra dentro. Pensando pra fora. Mascando um chiclé.
Devia parar por aqui moço. Te deixar em paz e caminhar pisando em poças. Mas é que sabe, essa chuva me deixa tão feliz que preciso chorar. Tão triste que preciso gritar. Tão exposta e encoberta.
Mas que droga. Não entendeu nada, né moço? Tou te chateando. Invadindo tua marquise. Fica com a moeda. Eu fico com a música na cabeça.

Fevereiro 28, 2009

 É que te quero assim. Te quero em mim. Falando muito, entendo pouco.  Falando só pra não perder o costume. Não entendo pra eu continuar te querendo.

Prazer em conhecer II

Fevereiro 19, 2009

sabendo que não vai encontrar algo melhor, vai se relacionar com o cara
vou tomar um banho pra sair com o idiota que nao me convenceu
é
que merda
e qual o programa?
alguma cerveja em algum bartalvez eu ainda desista
mas vou estar de banho tomadoai

Prazer em conhecer

Fevereiro 19, 2009

Oi. Tu vai mudar minha vida? Diz logo, antes de maiores apresentações. Primeiro quero saber o quanto vale a pena gravar teu rosto e teu nome e ainda assossiar os dois na minha cabecinha de ovo. Então? O que tu tens de novo e interessante? O que tu tens de estranho e apaixonante? Me convence. Me confunde. Me enlouquece e me faz pensar em ti o tempo todo. Me faz chorar, cantar, escrever. Me faz mostar quem eu sou também. Mas não assim. Eu te convencendo a me convencer. Não me vem com argumentos. Vem com atitudes. Vem com uma careta ou uma piada. É mas tu não vais fazer isso. Então, tchau.

Divaguei

Fevereiro 8, 2009

Hey hey hey! Tá tudo tão sóbrio por aqui. Não é assim que as coisas funcionam. Vamos colocar mais esclamações! E se nós nos permitíssemos? Nos soltássemos e dissessemos tudo o que queremos, tudo que tá intalado na garganta. Vamos soltar o nó! Seria muito bom parar com esses joguinhos. Que mania de dizer que a vida é um jogo e blá blá blá. Cuspiremos, vomitaresmo as palavras e as mãos e o corpo todo. Quem sabe até saísse alguma coisa genial. Ou não. Não esperto tanto de nós. Mas vamos lá. Vamos atirar tudo na cara. Como quem atira uma torta e se lambusa. Lambusar é bom. É divertido. É permitido. No meu mundo tudo é permitido, não percebeu? Eu tentei te mostrar. Talvez tu sejas míope.

Sapatinho de cristal

Fevereiro 4, 2009

No viaduto da João Pessoa um par de tamancos beges quebrava a rotina do cenário. Sozinhos. Velhos e fora de moda.  Fiquei me perguntando como vieram parar ali.

Talvez tivessem pertencido a alguma suicída que, na noite passada mergulhou na rua sempre movimentada e deixou para trás os calçados de cor ser graça. Sem eles seria mais fácil pular. Até porque não haveria a preocupação de eles voarem e ainda acabarem acertando alguém e chamando atenção para o corpo que ia em direção ao asfalto. Descalçar os tamancos foi um ritual. Antecedeu o ato de descalçar a vida. Era como se ela se despisse de tudo que a ligava a esse mundo. E assim ela os deixou no viaduto.

Talvez eles tivessem pertencido a alguma noiva enamorada que era carregada nos braços de seu amor. O casal feliz, preso em seu mundo de rosas não teria percebido quando os tamancos beges cairam dos pés da moça. Ela nem sentiu falta deles. O seu homem era o seu chão. E ali eles ficaram, abandonados, trocados por uma paixão.

Ou ainda eles poderiam ter pertencido a uma dama vaidosa do centro da cidade, que hoje é uma velhinha sem forças para calçar um salto. E quando eles viraram um estorvo no armário foram rejeitados por ela e jogados na rua. Ali, foram acolhidos por uma mendiga de pés descalços. A humilde mulher os achou em algum saco de lixo desses prédios antigos do centro e os levou consigo. Mas a vida na rua não parece fácil e ela cansou de andar com os tais tamancos beges que machucavam mais ainda seus pés calejados. Ela sentou para descançar no meio do viaduto e ali ficaram os sapatos, rejeitados mais uma vez.

Mas enquanto eu caminhava e pensava em todas essas possíves ex-proprietárias, um senhor passou por mim e arriscou “a cinderela passou por aqui”.

Fevereiro 3, 2009

A mala volta pesada. Trago tanta coisa dos outros que até esqueço do que é meu.