Eu queria escrever um poema.
Queria agora que brotasse um genio de mim.
Droga. Eu devia ter um papel, uma caneta tinteiro. Muito mais romântico. Muito mais poesia.
Impossível escrever bonito nas teclas. Impossível escrever bonito com minha letra feia.
Não me relaciono bem com papel. Talvez por ver minha cara suja nos garranchos. Mas sempre justifiquei a pressa do meu pensamento e a lerdessa das minhas mãos. Se é pra escrever bonito, elas demoram. Se é pra caprichar, que seja também nos traços. E aqui na tela já sai tudo assim. Uniforme. Ajeitadinho. Medidinho. Sem nenhuma personalidade. Com ou sem serifa. Nenhum borrão. Tu nem imaginas o quanto refiz essa frase. Nada de capricho. Nada de marcas. E o pior é que tudo que é escrito aqui já sai assim, exposto. Sem gosto.
nossa, adorei!