Previsão do tempo

Junho 30, 2009

Então eu escandarrei a janela e vim sentar ao lado dela. O vento invadiu a casa e avisou a chegada do temporal, que não tardará. Mas será que um dia terei a tão esperada calmaria?

Junho 27, 2009

Soluços da madrugada.

Junho 22, 2009

O maldito vinho sempre me seduziu.
Mas também sempre me secou. A boca. 
Joguei fora todas as garrafas que esvaziamos, enquanto tu me secavas.
Enquanto tu tiravas de mim tudo o que te servia
e nem meu copo enchia.
Eu, embreagada, me entregava a ti em banquetes.
Sempre regados a  vinho.

É,

Junho 21, 2009

E na escuridão do quarto sujo a cama vira carrossel.

Durmo muito menos. Sonho muito mais.

Junho 19, 2009

Ah! Tu gostavas de cozinhar. Mais do que de mim. Até me irritava com tua mania de fazer comidinhas caprichadas quando eu só queria uma pizza congelada. 

E o que sobrou de nós? 
Um potinho de curry na despensa.

Junho 16, 2009

Vou esquecer minha bolsa, meus livros, minhas roupas pelo caminho, pelo teu caminho. Quem sabe assim tu segue.

 Tou tentando te mostrar a trilha. Tá na cara. Como eu, babe.

Junho 8, 2009

Então, estou vivendo o que o Caio Fernando Abreu chama de  ”ciclo seco”. Foi essa a melhor denominação que achei pro meu atual estado de espírito. Um fenômeno que ninguém nota. Ajo normalmente. Com descaso e indiferença. Mas cadê a tal alegria de viver? O prazer em fazer as coisas se perdeu pelo caminho. Nada me atrai. Nada me distrai. As coisas de fora já não me atingem e a vida torna-se um marasmo robótico.

Não se confunde com “depressão”, quando você deixa de fazer o que devia, ou com “euforia”, quando você faz em excesso o que não devia. Em ciclo seco faz-se exatamente o que se deve ou não, desde escovar os dentes de manhã ou beber um uísque à tardinha, mas sem prazer. Nem desprazer: em ciclo seco apenas se age, sem adjetivos. A propósito, ciclo seco não admite adjetivos — seco é apenas a maneira inexata de chamá-lo para que, dando-lhe um nome, didaticamente se possa falar nele.

Mas Caio afirma que isso passa. Diz também que todo mundo tem os seus em alguma etapa da vida. Na verdade, nem ligo muito. Na verdade, já não ligo pra nada.

Junho 6, 2009

“tanto clichê deve não ser”

Junho 4, 2009

Minha mãe conta que, uma vez, quando eu era bebe de poucos meses, estávamos viajando. Meus pais faziam muito isso. Viajar, sabe. Não se tinha muito o que fazer em Ilópolis. E em uma dessas viagens eu estava deitada em um travesseiro – que pro meu pequeno corpo virava cama  – quando meu pai olhou pra mim ali, assim, branquinha, imóvel, frágil e falou: “se ela morresse agora, eu a colocaria em um caixãozinho de vidro.”

Junho 4, 2009

Do quarto do lado, vozes. Da janela da frente, luzes. Do andar de cima passos. Da rua, carros. Da minha cama, insonia.