Junho 8, 2009

Então, estou vivendo o que o Caio Fernando Abreu chama de  ”ciclo seco”. Foi essa a melhor denominação que achei pro meu atual estado de espírito. Um fenômeno que ninguém nota. Ajo normalmente. Com descaso e indiferença. Mas cadê a tal alegria de viver? O prazer em fazer as coisas se perdeu pelo caminho. Nada me atrai. Nada me distrai. As coisas de fora já não me atingem e a vida torna-se um marasmo robótico.

Não se confunde com “depressão”, quando você deixa de fazer o que devia, ou com “euforia”, quando você faz em excesso o que não devia. Em ciclo seco faz-se exatamente o que se deve ou não, desde escovar os dentes de manhã ou beber um uísque à tardinha, mas sem prazer. Nem desprazer: em ciclo seco apenas se age, sem adjetivos. A propósito, ciclo seco não admite adjetivos — seco é apenas a maneira inexata de chamá-lo para que, dando-lhe um nome, didaticamente se possa falar nele.

Mas Caio afirma que isso passa. Diz também que todo mundo tem os seus em alguma etapa da vida. Na verdade, nem ligo muito. Na verdade, já não ligo pra nada.

Uma resposta para “”

  1. Gi disse

    entendo perfeitamente este tal de ciclo seco.

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