Obedeci tua promessa e fiquei aberta. Só o vento entrou.
Vá embora e feche a porta
Tenho frio!
Vá embora antes que eu chore
Tenho frio!
Vou trancar-me
Para nunca mais abrir
Pro sabor dos nossos meus sonhos
Não fugir…
Tem sido tão difícil desligar a luz e dormir.
Toda noite espero que alguma coisa – qualquer coisa – aconteça.
Mas o sono é sempre maior que a esperança.
Boa noite.
E no fim vejo que sou só um clichê. E desses bem baratos.
Na busca pelo novo novo novo fico parada. Sendo um lugar comum. Lugar nenhum.
Esse é o meu problema.
Três horas. Os números vermelhos do rádio-relógio piscam na minha cara pálida. Minha cabeça dá giros de trezentos e sessenta e cinco graus no travesseiro. Odeio a vida diurna que me força a sonhar enquanto eu poderia estar dançando. Resolvo apelar. Os florais que minha mãe recomendou ainda estão na cozinha. No rótulo o aviso: usar em caso de emergência. Domir já é uma questão de vida ou morte. Bem, se for morte já não preciso me preocupar com as olheras.
Maldito inferno astral. Mais um ano que ele me pega em cheio.