Minha mãe conta que, uma vez, quando eu era bebe de poucos meses, estávamos viajando. Meus pais faziam muito isso. Viajar, sabe. Não se tinha muito o que fazer em Ilópolis. E em uma dessas viagens eu estava deitada em um travesseiro – que pro meu pequeno corpo virava cama – quando meu pai olhou pra mim ali, assim, branquinha, imóvel, frágil e falou: “se ela morresse agora, eu a colocaria em um caixãozinho de vidro.”
Mais um desses casos de nostalgia
Junho 1, 2009
E num desses dias frios do começo de junho coloquei um casaco quente do fundo do armário. Lavado pela minha mãe, tinha cheiro de amaciante. Coloquei no sol, passei perfume, tudo para tirar esse odor bom que me traz tantas lembraças. É o teu cheiro de roupa limpa. Será que tu ainda tens? Será que enrolado com tantas outras mulher perdeste teu melhor? Teu cheiro só teu. Teu ar aconchegante que fazia eu me perder em teus finos braços. Que fazia eu sonhar no teu peito quente. Que fazia eu sugar teu pescoço com cheiro de amaciante.
Vermelho
Maio 31, 2009
Acordei com o batom borrado no rosto.
A testemunha.
Naquela noite tínhamos selado nossa conversa com um beijo. Assim como quem assina um acordo de paz.
Desisto de todos os homens do mundo. Desisto de todos os amores do mundo. Eles já desistiram de mim há muito tempo.
19
Maio 20, 2009
E nessa madrugada eu encontrei fotos nossas. Revi elas com saudades. Dormi. Sonhei. Acordei e ouvi - por acaso, juro – nossa música e todas as nossas músicas. Almocei panquecas. Vi um T5, falei sobre o Tristeza. O dia foi cinza. De repente entendi porque as lembranças estavam me atacando…
Chove chuva
Maio 14, 2009
E chove sem parar. É bom. Em Erechim já estava preocupante a sitação da seca. É bom. Chuva me dá vontade de escrever. Mas escrever sobre o que? Sobre a chuva mesmo. Ela que me inspira, respira. Faz meu corpo se encher de vida, como um pulmão de ar. Enxarca todos os meus pares de calçados. Molha minhas roupas. Bagunça meu cabelo. Me faz passar frio. É uma relação de amor e ódio como todas as outras boas paixões. E assim como elas, vem, faz estrago e vai embora deixando alguns rastros que somem com o primeiro sol forte.
?
Maio 10, 2009
Talvez eu devesse escrever sobre ti. E é justamente esse meu problema: a dúvida. Dúvida sobre o que fazer, o que sentir, o que falar. Sobre ir ou rachar.
Amores Líquidos
Abril 18, 2009
No onibus, uma amiga leu um pedaço de um livro com nome de auto-ajuda que dizia alguma coisa sobre o desejo ser um sentimento destrutivo. A explicação estaria no fato de ser um sentimento egoísta, onde tu busca te saciar, apenas. Não que queira discordar do cara que estudou um monte pra escrever, tendo como argumentos minhas experienciazinhas pessoais, mas desejar alguém faz bem sim, inclusive pro objeto de desejo. É muito bom ter alguém pra amar, ser feliz pra sempre e blá blá blá, mas isso não se encontra em cada esquina, em casa final de semana, em cada vida. Então vou me divertir com os pequenos e fortes desejos diários, os meus e os teus.
novos caminhos
Março 25, 2009
Gosto de caminhar. A noite portoalegrense é muito propícia. Andar por aí meio sem rumo, só pra não ficar com as paredes. Ou ter uma boa companhia, com um bom papo, com boas pernas. Ultimamente acaba sempre lá. Gosto de uma esquina. Uma esquina do Bom Fim, quase Rio Branco. Gosto de deitar na calçada e olhar praquele prédio antigo. A pedra fria e os pedestres pisando na gente são detalhes tão pequenos que não nos incomodam. Os carros ou caminhoes de lixo viram parte da paisagem, quase camuflados. Os ratos correndo pelos fios de luz são os artistas da noite. E a gente fica ali só apreciando o espetáculo. Todos eles. É um ótimo lugar para se olhar as estrelas. É um ótimo lugar pra ficar contigo, ficar comigo.