Insonia
Setembro 24, 2009
As vezes parece que nada vai funcionar né? yep.
As vezes parece que a hora de dormir nunca chega. Mesmo que ela já tenha passado e o sono tenha avisado.
Na minha cara cansada a água salgada se mistura com a maquiagem e corrói o que ainda sobra da pele, deixando um gosto ruim quando alcança a boca que já não consegue mais ficar fechada. A boca se abre num desespero contínuo. É como se fosse a luz no final do túnel. A saída é gritar. Assim a dor é chutada pra fora. Mas se espalha no ar e me abraça como ninguém mais me abraça. Porque ela é toda minha e só minha. Como mais ninguém.
Obedeci tua promessa e fiquei aberta. Só o vento entrou.
Vá embora e feche a porta
Tenho frio!
Vá embora antes que eu chore
Tenho frio!
Vou trancar-me
Para nunca mais abrir
Pro sabor dos nossos meus sonhos
Não fugir…
Tem sido tão difícil desligar a luz e dormir.
Toda noite espero que alguma coisa – qualquer coisa – aconteça.
Mas o sono é sempre maior que a esperança.
Boa noite.
E no fim vejo que sou só um clichê. E desses bem baratos.
Na busca pelo novo novo novo fico parada. Sendo um lugar comum. Lugar nenhum.
Esse é o meu problema.
Três horas. Os números vermelhos do rádio-relógio piscam na minha cara pálida. Minha cabeça dá giros de trezentos e sessenta e cinco graus no travesseiro. Odeio a vida diurna que me força a sonhar enquanto eu poderia estar dançando. Resolvo apelar. Os florais que minha mãe recomendou ainda estão na cozinha. No rótulo o aviso: usar em caso de emergência. Domir já é uma questão de vida ou morte. Bem, se for morte já não preciso me preocupar com as olheras.
Maldito inferno astral. Mais um ano que ele me pega em cheio.
Previsão do tempo
Junho 30, 2009
Então eu escandarrei a janela e vim sentar ao lado dela. O vento invadiu a casa e avisou a chegada do temporal, que não tardará. Mas será que um dia terei a tão esperada calmaria?
O maldito vinho sempre me seduziu.
Mas também sempre me secou. A boca.
Joguei fora todas as garrafas que esvaziamos, enquanto tu me secavas.
Enquanto tu tiravas de mim tudo o que te servia
e nem meu copo enchia.
Eu, embreagada, me entregava a ti em banquetes.
Sempre regados a vinho.
É,
Junho 21, 2009
E na escuridão do quarto sujo a cama vira carrossel.
Durmo muito menos. Sonho muito mais.
Ah! Tu gostavas de cozinhar. Mais do que de mim. Até me irritava com tua mania de fazer comidinhas caprichadas quando eu só queria uma pizza congelada.
E o que sobrou de nós?
Um potinho de curry na despensa.